Com a elevação implementada no dia quarta-feira (3), a Selic atinge o maior nível em quase nove anos, quando estava em 14,25%, e volta ao patamar de dezembro de 2008.
O BC tomou a decisão com o objetivo de atingir suas metas, ou seja, combater a inflação em um esforço para levá-la ao centro da meta, mas sabe que algum reflexo negativo há de surgir em breve no cenário econômico.
Para o UCHO.INFO, um novo aumento da Selic provocará pelo menos dois impactos negativos: desaceleração ainda maior da atividade econômica, em rota contínua de baixa, e elevação a dívida federal. Em suma, o esforço do governo para o pagamento dos juros da dívida será ainda maior, se é que a meta será atingida.
O teor do comunicado divulgado após a decisão do Copom foi mantido. Desde janeiro, o comitê mantém o mesmo texto: “avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 pp, para (…), sem viés”. A ata da reunião do Copom, que traz os detalhes que embasaram a decisão, só será conhecida no próximo dia 11 de junho, quinta-feira.
Considerando que a sabedoria popular afirma que “gato escaldado tem medo de água fria”, a decisão do Copom e o teor do comunicado apontam para uma possível nova elevação da Selic, provavelmente de meio ponto percentual, o que elevaria a taxa básica de juro para 14,25% ao ano. Na última edição do Boletim Focus, os especialistas do mercado financeiro ouvidos pelo BC projetaram a Selic em 14% até o final deste ano.
No momento em que o governo petista de Dilma Rousseff trabalha para colocar em prática as medidas do pacote de ajuste fiscal, a elevação da Selic é uma decisão que caminha na contramão, pois não apenas desaquece a economia, mas corta empregos e reduz a arrecadação tributária, no vácuo da desaceleração da produção e do consumo interno.
No caso de o plano econômico capitaneado pelo ministro Joaquim Levy, da Fazenda, der errado, inevitavelmente o Brasil terá o grau de investimento rebaixado. Aí, sim, os brasileiros saberão o que é crise. Até lá, o melhor a se fazer é poupar o quanto dá e gastar o menos possível.
Fonte: Ucho
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